O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou a edição 2026 do relatório “Justiça em Números", principal fonte de informações estatísticas do Poder Judiciário brasileiro. A publicação apresenta um panorama detalhado da estrutura, da força de trabalho, dos recursos financeiros e da atuação dos diversos ramos da Justiça no país, servindo como referência para o planejamento e a gestão institucional. O relatório está disponível exclusivamente em formato digital e pode ser acessado no portal do CNJ.
No capítulo dedicado à Justiça Eleitoral, o levantamento reforça a singularidade desse ramo especializado do Judiciário, responsável pela organização e realização das eleições, plebiscitos e referendos, além do julgamento das questões eleitorais e da regulamentação do processo eleitoral. O estudo destaca que a análise dos indicadores deve considerar a sazonalidade do calendário eleitoral, sendo mais adequada a comparação entre anos eleitorais e entre anos não eleitorais.
Em 2025, a Justiça Eleitoral contou com uma força de trabalho de 34.518 pessoas, composta por magistrados, servidores, terceirizados e estagiários. Entre os servidores, cerca de um terço é formado por profissionais requisitados ou cedidos por outros órgãos, evidenciando a importância desse mecanismo para a manutenção das atividades eleitorais.
Os dados também demonstram que 55,6% dos servidores atuam na área judiciária e 44,4% na área administrativa. Segundo o CNJ, a participação expressiva da área administrativa está relacionada à própria natureza da Justiça Eleitoral, cuja atuação envolve não apenas a tramitação de processos, mas também o planejamento, a organização e a execução das eleições em todo o território nacional.
TRE-GO lidera participação feminina na magistratura eleitoral
Entre os destaques do relatório está a representatividade feminina na magistratura eleitoral. Embora as mulheres correspondam a 53,6% dos servidores da Justiça Eleitoral brasileira, elas ocupam 34,3% dos cargos da magistratura.
Nesse cenário, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) alcançou o maior percentual de participação feminina na magistratura entre todos os Tribunais Regionais Eleitorais do país. De acordo com o levantamento, 46,5% dos magistrados que atuam na Justiça Eleitoral goiana são mulheres, índice que coloca o Tribunal na liderança nacional.
O relatório também apresenta dados sobre diversidade racial. Na Justiça Eleitoral, pessoas negras representam 19,7% da magistratura e 37,3% do quadro de servidores, evidenciando avanços na ampliação da representatividade racial dentro da instituição.
Estrutura e investimentos
O estudo mostra que as despesas totais da Justiça Eleitoral alcançaram aproximadamente R$ 8,3 bilhões em 2025, valor 4,5% inferior ao registrado em 2023, também um ano não eleitoral.
Embora responda por apenas 0,1% dos processos judiciais em tramitação no país, a Justiça Eleitoral demanda estrutura administrativa, tecnológica e operacional própria para garantir a realização das eleições. Por essa razão, o CNJ ressalta que a avaliação dos custos desse ramo não deve ser feita apenas com base no volume processual.
O custo da Justiça Eleitoral foi de R$ 39,05 por habitante em 2025. Desconsideradas as despesas com inativos e pensionistas, o valor cai para R$ 32,93 por habitante.
As despesas com pessoal representam 89,8% dos gastos totais da Justiça Eleitoral. Desse montante, a maior parte corresponde a remuneração e encargos, seguida de benefícios, contratos de terceirização, despesas eventuais e estagiários.
Tecnologia ganha protagonismo
Outro aspecto destacado pelo relatório é o fortalecimento dos investimentos em tecnologia. Entre 2023 e 2025, as despesas com informática cresceram 8,2%, enquanto os investimentos em capital apresentaram redução de 16,1%.
Os números refletem a crescente importância das soluções tecnológicas para a execução das atividades da Justiça Eleitoral, especialmente em áreas relacionadas à segurança, à gestão de dados, à prestação de serviços ao eleitorado e à realização das eleições.
Acesso ao relatório
O relatório Justiça em Números 2026 pode ser consultado na íntegra no portal do Conselho Nacional de Justiça. A publicação reúne dados de todos os ramos do Poder Judiciário e constitui uma das principais ferramentas de transparência e gestão da Justiça brasileira.