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TRE Mulher debate desafios para ampliar a presença feminina na política
Encontro reuniu representantes da Justiça, da advocacia e da segurança pública para discutir participação política, liderança e enfrentamento à violência digital
A participação feminina na política brasileira ainda não corresponde à presença das mulheres na sociedade. Embora representem 52% do eleitorado do país, elas permanecem sub-representadas nos cargos eletivos e nos espaços de decisão. O cenário foi um dos principais temas discutidos na edição 2026 do TRE Mulher – A Participação da Mulher na Política, realizada nesta sexta-feira (21), no Auditório Levino Emiliano dos Passos, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).
O encontro reuniu a presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva; a juíza de Direito e juíza auxiliar da Presidência do Tribunal, Ana Cláudia Veloso Magalhães; a secretária-geral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás (OAB-GO), Talita Hayasaki; e a delegada da Polícia Civil Sabrina Leles.
Na abertura, a presidente da Corte destacou a diferença entre a expressiva presença das mulheres no eleitorado e sua representação nos espaços de poder. Segundo a magistrada, nas últimas eleições gerais, as mulheres corresponderam a aproximadamente um terço das candidaturas, mas representaram apenas 18% das pessoas eleitas para o Legislativo.
Para a desembargadora, o desafio ultrapassa o cumprimento formal das regras eleitorais. “Não basta preencher a cota de gênero. É preciso assegurar uma participação efetiva, com candidaturas reais, competitivas e com condições para que as mulheres possam disputar e vencer”, defendeu.
A presidente também ressaltou que as cotas de gênero devem ser compreendidas como instrumento de ampliação da representação feminina. “A cota não pode ser vista como um teto ou como uma obrigação meramente formal. Ela deve ser entendida como um ponto de partida para que mais mulheres ocupem os espaços de poder”, afirmou.
Mulheres e os diferentes espaços de poder
A discussão também abordou a presença feminina em diferentes áreas de atuação. Para a juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães, mediadora do encontro, falar sobre mulheres na política também significa reconhecer a atuação feminina nas instituições públicas e em outros espaços de liderança.
“Nós vamos falar sobre as mulheres na política, mas as mulheres na política também somos nós que estamos aqui, como magistradas, como delegadas, como servidoras”, afirmou Ana Cláudia.
A magistrada destacou ainda que a ocupação de posições de liderança deve respeitar as escolhas individuais de cada mulher. Segundo ela, a participação feminina não precisa seguir um único modelo e pode se manifestar em diferentes trajetórias profissionais e pessoais.
Trajetória profissional e liderança
Durante a roda de conversa, Talita Hayasaki compartilhou sua trajetória na advocacia e sua experiência na gestão da OAB-GO, abordando os desafios encontrados ao longo da carreira e as responsabilidades decorrentes da atuação à frente da Secretaria-Geral da entidade.
A advogada também tratou dos diferentes papéis desempenhados pelas mulheres e dos desafios de conciliar a vida profissional e familiar. A partir de sua experiência, destacou especialmente a realidade das mulheres que conciliam a carreira com a maternidade e a importância das redes de apoio nesse processo.
Violência contra mulheres no ambiente virtual
A delegada Sabrina Leles levou ao encontro sua experiência na área de segurança pública e abordou a violência praticada contra mulheres no ambiente digital. A palestra tratou dos crimes cometidos contra mulheres no âmbito virtual, incluindo os desafios relacionados à crescente utilização das redes sociais e de outras plataformas digitais.
A participação da delegada ampliou o debate para as formas de violência que podem ocorrer no ambiente virtual e para a necessidade de atenção e enfrentamento a essas práticas.
A ouvidora da Mulher do TRE-GO, desembargadora eleitoral Stefane Fiúza, prestigiou o encontro, assim como lideranças femininas de diversas esferas, entre elas a 2ª vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, desembargadora Rozana Camapum, e a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Fabiana Zamalloa.
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